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Suicídio e o Trabalho

Hoje falaremos sobre suicídio e o trabalho, levando em conta que estamos no mês de Setembro é o mês da prevenção ao suicídio, no dia 10 de Setembro celebra-se o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. Segundo a BBC (1) no Brasil a taxa de suicídio subiu em 12 anos cerca de 5,1 por 100 mil habitantes em 2002 para 5,6 em 2014 entre as idades e 15 a 29 anos (aumento de aproximadademente 10%).

 

São inúmeras as variáveis que causam um mal estar na relação do colaborador com o trabalho tais como poucos colaboradores em relação a quantidade de tarefas, assédio moral ou sexual no ambiente de trabalho, condições ergonômicas inadequadas, coação, pouco diálogo, metas abusivas, relações interpessoais no trabalho negativas como fofocas, sabotes, perseguições, falta de reconhecimento monetário e social pelo serviço realizado e outros. As pessoas podem desenvolver reações diferentes a esses mal estar no trabalho como crises de choro, crises de ansiedade e pânico, ideações suicidas, insônia, transtornos musculoesqueléticos, transtorno mentais, doenças estomacais, doenças cardíacas, doenças dermatológicos e outras. (3)

 

Um caso notório sobre suicídio no ambiente de trabalho é o caso da empresa Francesa de telefonia France Télécom (2), a empresa “notificou” que realizaria demissões de 22 mil empregados e outros 14 mil deveriam mudar de cargo devido um endividamento da empresa. Como consequência cerca de 60 pessoas se suicidaram em três anos. Foram 35 apenas entre 2008 e 2009. Ocorreu uma série de denunciadas pelos sindicatos franceses o que resultou depois de anos em processados para dos dirigentes da empresa na época.

 

Quando somos chamados para realizar palestra sobre essa temática em outros lugares como escola e empresas; sempre digo que o suicídio é um fenômeno complexo com várias facetas e quando uma pessoa comete o suicídio ela diz algo sobre si mesmos, sobre a sociedade, sobre o ambiente em que está inserida, sobre as relações e como elas se estabelecem e outros aspectos. Quando abrimos para discussão sobre o tema nas palestras, percebo sempre a ausência de uma preocupação no âmbito de responsabilidade social. (4)

 

Um passo importante para a prevenção é romper o tabu sobre o assunto, o silêncio mata sobre o assunto mata. Não se faz prevenção em silêncio. Esta temática tem que ser debatida corretamente em diversos ambientes principalmente organizacional, por isso é importante ter profissionais e pessoas com conhecimento profundo sobre suicídio para tratar e conduzir discussões.

Realize campanhas internas na sua empresa ou no local do seu trabalho com o objetivo de prevenção. Seu engajamento nessa luta pode salvar uma vida.

(1) https://www.bbc.com/portuguese/brasil-39672513

 

(2) http://br.rfi.fr/franca/20160707-apos-suicidio-de-60-funcionarios-empresa-francesa-e-processada-por-assedio-moral

 

(3) Dejours, C. (2012a). Psicodinâmica do trabalho e teoria da sedução. Psicologia em Estudo, 17 (3), 363-371.

 

(4) DURKHEIM, Émile. Da divisão do trabalho social; As regras do método sociológico; O suicídio; As formas elementares da vida religiosa. São Paulo: Abril Cultural, 1983 (Os Pensadores).

Tamires Mascarenhas

Síndrome de Burnout 1 750x375 - Síndrome de Burnout: Sintomas

Síndrome de Burnout: Sintomas

Bem-vindo de volta leitor, hoje vamos continuar a nossa viagem pelo mundo da Síndrome de Burnout, no primeiro artigo falamos sobre as informações gerais. Hoje vamos discorrer sobre os sintomas, a partir disso, você saberá identificar se possivelmente, encontra-se dentro dessas características.

Os sintomas são divididos em quatro categorias: físicas, psíquicas, emocionais e distúrbios de comportamento. O sintoma físico predominante é a sensação de fadiga constante e progressiva e os distúrbios do sono. Como sintomas psíquicos há uma diminuição da memória evocativa e de fixação, e dificuldade de concentração. Há uma redução da capacidade de tomar decisões. Nos sintomas emocionais, o elemento constante é o desânimo. Há uma perda do entusiasmo e da alegria e, com frequência, ansiedade e depressão que aparece ou diminui diante do ambiente e situação. E por último aparecem os distúrbios do comportamento, onde há uma tendência ao isolamento.

O esgotamento físico e emocional pode levar a pessoa a ter atitudes negativas, irritabilidade, mudanças bruscas no humor, ausências no trabalho, dificuldade de se concentrar, lapsos de memória, entre outros problemas. Há, ainda, sinais de baixa autoestima, isolamento e pessimismo, podem ser acompanhados de dores de cabeça, dores musculares, dificuldade para dormir, suor em excesso, palpitações e problemas gastrointestinais

 

Vejamos os dez principais sintomas:

  • Sensação constante de negatividade, como se nada fosse dar certo;
  • Cansaço físico e mental;
  • Desmotivação e falta de vontade de socializar;
  • Dificuldade de concentração no trabalho e nas tarefas diárias;
  • Falta de energia para as atividades diárias e cansaço excessivo;
  • Sentimento de incompetência;
  • Dificuldade para manter atividades que gostava, como um esporte;
  • Priorizar as necessidades dos outros e não as próprias;
  • Alterações repentinas de humor e períodos de irritabilidade;
  • Isolamento, devido aos sintomas, a pessoa tem tendência em isolar-se.

 

Outros sinais incluem demorar muito tempo em realizar as tarefas profissionais, assim como faltar ou chegar atrasado. Além disso, quando se tira férias é comum não sentir prazer durante esse período, voltando para o trabalho com a sensação de ainda estar cansado.

É importante estar atento aos sintomas; em caso de dúvida ou identificação, consulte imediatamente um psicólogo ou médico psiquiatra. O alerta é para o fato de que, esses sintomas, podem ser confundido com outros tipos de síndromes e enfermidades psicológicas; como a depressão, transtorno de ansiedade generalizada, ou baixa autoestima. Se você se identificou com alguns desses sintomas, nos acompanhem no próximo artigos, onde falaremos sobre o diagnóstico e tratamento.

 

 


Lícia Marchiori Crespo

Graduada em Hotelaria pelo SENAC, Águas de São Pedro/SP. Cursando o 4º Período de Psicologia pela UNIP, Vitória/ES. Atuou como docente de Hotelaria, SENAC/ES, 2014. Desde 2013, atua em consultorias e treinamentos para Meios de Hospedagem e A&B. Trabalha como voluntária e idealizadora de projetos sociais, nacionais e internacionais, desde 2005.