Precarização do trabalho, uma vida sem glamour: Karoshi e Workaholic

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A precarização do trabalho é um assunto que está cada dia mais em evidência, pois ele se opõe a qualidade de vida e interfere na saúde dos envolvidos. Muitas empresas colocam seus funcionários expostos a fatores de risco de natureza física, biológica, química, subjetiva e psicológica; os afetando diretamente; citamos como exemplos aos últimos, a competitividade maximizada; flexibilidade sem limites; substituição dos indivíduos desgastados, cansados e ultrapassados; exigência de rapidez; etc. Esses fatores geram patologias e sintomas.

No trabalho, passou-se a gerir os funcionários pelo medo, pelo desemprego e falta de oportunidade, caso não atendessem as expectativas do empregador, gerando perdas materiais, de necessidade humana e realização pessoal. São processos de dominação que mesclam insegurança, incerteza, sujeição, proliferação da desconfiança e do individualismo, sequestro do tempo e da subjetividade. São afetadas as demais dimensões da vida social e laços familiares.

O Karoshi e o Workholic são doenças atuais, consideradas uma epidemia da modernidade e resultantes da precarização do trabalho. O “Karoshi” (palavra de origem japonesa) começou nos anos 1960. Nada mais é que a morte por excesso de trabalho. Os funcionários acreditam que não tem outra opção a não ser aceitar a jornada ou as condições que são colocadas; por essa razão, fazem horas extras incalculáveis, se privam, por falta de tempo, de dormir, de comer, sair e fazer exercícios; o que resulta em infartos, derrames e suicídios. O estresse e a forma de viver colaboram para o aumento do risco de doença cardíaca, distúrbios do sistema imunológico, diabetes e algumas formas de câncer; resultando em uma morte muitas vezes súbita, pois é uma doença silenciosa.

Workaholic, é uma gíria em inglês, que significa alguém viciado em trabalho; um trabalhador compulsivo, dependente do trabalho que não consegue se desligar. Um dos maiores receios é o medo de fracassar, esse medo faz com que ele se condicione e continue sempre dando o melhor de si na busca por resultados. Esses tipos de pessoas sofrem, pois, esse estilo de vida gera: insônia, explosões de raiva, mau-humor, impotência sexual, atitudes agressivas, ansiedade e depressão; entre outros efeitos nocivos.

A precariedade do trabalho pode ser considerada uma condição para a existência do capitalismo. Os trabalhadores compartilham as experiências de excessiva exploração, o sentimento de esgotamento, carência de gratificação, sentido intrínseco ao próprio trabalho, infelicidade, insatisfação e a certeza de que não trabalham para viver, mas sim, vivem para trabalhar.

Contudo alguns dos sintomas podem ser evitados com algumas atitudes simples: acompanhamento médico e psicoterapêutico; yoga; meditação; uma boa alimentação; ao menos 30 minutos por dia de exercícios; dormir no mínimo 8 horas por dia. Dedique um tempo para fazer o que gosta; não leve o trabalho tão a sério assim; e coloque a sua saúde, assim como sua vida pessoal, acima de tudo. Valorize-se como pessoa e valorize a sua importância junto a empresa que trabalha, não se menospreze ou pense que é descartável, todos temos um valor inestimável como seres humanos, seja no trabalho ou fora dele.

REFERÊNCIAS

Franco, Tania; Druck, Graça; Silva, Edith. As novas relações de trabalho, o desgaste mental do trabalhador e os transtornos mentais no trabalho precarizado. Dezembro de 2010. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0303-76572010000200006>

Lane, Edwin. Os jovens japoneses que estão trabalhando literalmente até a morte. Julho de 2017. Disponível em: <https://www.bbc.com/portuguese/internacional-40140914>

S/N. O que é workholic. Julho de 2019. Disponível em: <https://www.significados.com.br/workaholic/>


Lícia Marchiori Crespo

Graduada em Hotelaria pelo SENAC, Águas de São Pedro/SP. Cursando o 4º Período de Psicologia pela UNIP, Vitória/ES. Atuou como docente de Hotelaria, SENAC/ES, 2014. Desde 2013, atua em consultorias e treinamentos para Meios de Hospedagem e A&B. Trabalha como voluntária e idealizadora de projetos sociais, nacionais e internacionais, desde 2005.

 

 

 

 

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