GE 04: Consciência, atenção e orientação

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GE 04 · Consciência, atenção e orientação — QPsi GP 01
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GE 04 · GP 01 Fevereiro · 2025

Consciência, atenção e orientação
As funções psíquicas elementares e suas alterações

Paulo Dalgalarrondo · Psicopatologia e Semiologia dos Transtornos Mentais

Psicopatologia e Semiologia dos Transtornos Mentais

Paulo Dalgalarrondo · Artmed, 3ª ed. 2019 · Parte II — Funções psíquicas

Capítulos 11, 12, 13 e 14 — Introdução às funções psíquicas · A consciência · A atençã…
Data 21 de fevereiro de 2025
Participantes
Tamires Ana Bruno Camila Daniel Elisa Felipe Gabriela
Debate teórico

Bruno apresentou os capítulos com uma distinção que organizou toda a discussão: nível de consciência (vigília, clareza do campo mental) versus conteúdo da consciência (o que ocupa esse campo). O grupo debateu como essa distinção — aparentemente técnica — tem implicações clínicas profundas. Um paciente em estado dissociativo e um em confusão aguda podem parecer semelhantes na superfície, mas estão em dimensões completamente diferentes da consciência.

O capítulo sobre atenção abriu uma discussão sobre TDAH na vida adulta — tema que atravessa a prática de quase todos os membros do grupo. Dalgalarrondo descreve as alterações de atenção com precisão semiológica (hipoprosexia, hiperprosexia, distraibilidade), e o grupo questionou o quanto os critérios do DSM-5 capturam ou perdem dessa riqueza descritiva. Camila trouxe dados de sua prática avaliativa: muitos diagnósticos de TDAH adulto são feitos sem avaliação semiológica rigorosa.

A orientação foi o tema que gerou a reflexão mais filosófica do encontro. Daniel propôs pensar a orientação não como dado de rastreio cognitivo, mas como modo de habitar o tempo e o espaço. Um paciente desorientado no tempo não só perdeu uma informação — perdeu uma forma de se situar no mundo. O grupo explorou as implicações fenomenológicas desse dado clínico tantas vezes tratado como mero checklist.

Avaliar consciência e orientação não é marcar itens numa ficha — é aproximar-se da forma como o sujeito habita o mundo. Quando reduzimos isso a um rastreio, perdemos justamente o que mais importa clinicamente.

Reflexões do grupo
TM
Tamires MascarenhasMediadora

A discussão sobre TDAH adulto e avaliação semiológica me tocou diretamente. Quanto diagnóstico feito de forma apressada estamos vendo? O capítulo nos convida a desacelerar.

BR
Bruno Tavares

Apresentar esses capítulos me fez rever minha própria prática de avaliação da atenção. Eu usava critérios DSM sem perceber que estava saltando a semiologia — o passo anterior e mais rico.

CA
Camila Ferreira

A avaliação de atenção em contexto neuropsicológico tem toda uma bateria de testes — mas os testes não substituem a escuta semiológica. O Dalgalarrondo me lembrou disso.

DA
Daniel Almeida

A orientação como modo de habitar o mundo foi o insight do encontro para mim. Heidegger e Dalgalarrondo, sem que ninguém precisasse mencionar Heidegger.

FN
Felipe Nascimento

Em saúde mental coletiva, vejo muito paciente com alteração de consciência que nunca teve avaliação adequada. A precisão semiológica é um ato de justiça clínica — e isso ficou claro nesse encontro.

BR

Resenha escrita por

Bruno Tavares

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