GE 05: Memória, afetividade e vontade

QPSI
GE 05 · Memória, afetividade e vontade — QPsi GP 01
← GP 01 · Dalgalarrondo

GE 05 · GP 01 Março · 2025

Memória, afetividade e vontade
Funções psíquicas e suas alterações — parte 2

Paulo Dalgalarrondo · Psicopatologia e Semiologia dos Transtornos Mentais

Psicopatologia e Semiologia dos Transtornos Mentais

Paulo Dalgalarrondo · Artmed, 3ª ed. 2019 · Parte II — Funções psíquicas

Capítulos 17, 18 e 19 — A memória e suas alterações · A afetividade · A vontade, a…
Data 14 de março de 2025
Participantes
Tamires Ana Bruno Camila Daniel Elisa Felipe Gabriela
Debate teórico

Gabriela apresentou os capítulos com uma entrada incomum: começou pela memória não como função cognitiva, mas como condição de identidade. Quem somos é, em grande parte, o que lembramos — e quando a memória falha, algo da identidade também vacila. O grupo debateu as amnésias dissociativas: quando a memória não está perdida, mas inacessível. Ana Paula trouxe a perspectiva psicanalítica — o recalque como forma de amnésia motivada — e o grupo discutiu as sobreposições e diferenças entre o conceito psicanalítico e o semiológico.

O capítulo sobre afetividade foi o mais comentado. Dalgalarrondo organiza o campo com precisão rara: humor, afeto, sentimentos, emoções — cada um com definição precisa e implicações clínicas distintas. A discussão se concentrou na alexitimia: pacientes que não nomeiam o que sentem. Tamires compartilhou que em avaliação psicológica esse é um dos achados mais frequentes e mais subvalorizados — e que a semiologia da afetividade é essencial para identificá-la.

A vontade e a psicomotricidade fecharam o encontro com reflexões sobre abulia, impulsividade e compulsão. O grupo relacionou esses conceitos com demandas clínicas frequentes: procrastinação severa, dificuldade de iniciar, comportamentos repetitivos. Elisa trouxe um caso clínico de paciente que descrevia 'não conseguir fazer nada' — e o grupo discutiu como distinguir abulia de depressão de preguiça de sabotagem, e o quanto essa distinção muda a abordagem clínica.

A afetividade não é apenas o que o paciente sente — é a tonalidade de fundo de toda a experiência. Quando essa tonalidade se altera, tudo muda: a percepção, o pensamento, a relação com o tempo. A depressão não é tristeza ampliada; é uma transformação de base.

Reflexões do grupo
TM
Tamires MascarenhasMediadora

A alexitimia em avaliação psicológica é mais comum do que se supõe — e muitas vezes passa despercebida porque o paciente parece 'cooperativo'. O capítulo me deu ferramentas para ser mais precisa na identificação.

AP
Ana Paula Rezende

A relação entre recalque e amnésia dissociativa foi o ponto que mais me mobilizou. São conceitos vizinhos com genealogias muito diferentes — e aproximá-los exige cuidado epistemológico real.

GS
Gabriela Santos

Apresentar a memória como condição de identidade foi uma escolha que veio da psicologia analítica — e que o grupo recebeu bem. Fico feliz quando os referenciais se iluminam mutuamente.

EL
Elisa Monteiro

O caso clínico que trouxe foi difícil de compartilhar — mas o grupo criou o espaço certo. A discussão sobre abulia versus depressão versus 'preguiça' vai mudar como formulo esses casos.

FN
Felipe Nascimento

A psicomotricidade como linguagem do que a fala não alcança — isso ressoa muito com populações que atendo. Muitos pacientes falam pelo corpo antes de conseguir falar com palavras.

AP

Resenha escrita por

Ana Paula Rezende

No responses yet

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.