GE 03 · GP 01 Janeiro · 2025
Diagnóstico, avaliação e entrevista
O encontro clínico como ato psicopatológico
Paulo Dalgalarrondo · Psicopatologia e Semiologia dos Transtornos Mentais
Psicopatologia e Semiologia dos Transtornos Mentais
Paulo Dalgalarrondo · Artmed, 3ª ed. 2019 · Partes I e II — Diagnóstico e avaliação
Capítulos 7, 8 e 9 — Princípios gerais do diagnóstico · A avaliação do paciente…O capítulo 7 abriu o encontro com uma afirmação que Tamires colocou no centro do debate: para Dalgalarrondo, o diagnóstico psicopatológico é um ato clínico — não uma classificação administrativa. O grupo discutiu o quanto essa distinção é ignorada na prática cotidiana, especialmente em contextos institucionais onde o diagnóstico precisa ser rápido e justificado para fins burocráticos. Como preservar a dimensão clínica do diagnóstico sob pressão de tempo?
Os capítulos 8 e 9 trouxeram a entrevista para o centro da discussão. Camila compartilhou sua experiência em avaliação psicológica: a estrutura da entrevista diagnóstica difere da entrevista clínica, mas ambas exigem o mesmo equilíbrio entre roteiro e escuta livre. Ana Paula, de orientação psicanalítica, questionou se o roteiro não cria um campo transferencial específico — e o grupo debateu se isso é problema ou recurso.
O ponto de maior convergência do encontro foi a afirmação de Dalgalarrondo de que a entrevista já é intervenção. Ser escutado de uma certa forma — com atenção, sem julgamento, com interesse genuíno pelo sofrimento — já produz efeitos antes de qualquer interpretação ou devolução. O grupo refletiu sobre as implicações éticas disso: se a avaliação já é clínica, a postura do avaliador importa desde o primeiro contato.
A questão do diagnóstico sob pressão institucional me toca diretamente. Trabalho em contexto de avaliação e sei o quanto o tempo curto compromete a qualidade do olhar clínico. O Dalgalarrondo nos lembra do que não devemos perder.
A pergunta sobre o campo transferencial na entrevista estruturada ficou em aberto — e acho que deve ficar. É uma tensão produtiva que não tem resposta única.
O diagnóstico como hipótese revisável — não como verdade — muda completamente a relação com o paciente. Parece simples, mas poucos clínicos realmente praticam isso.
Fiquei pensando em quantos diagnósticos carrego de supervisores sem tê-los revisitado. A genealogia do olhar clínico passa pelo diagnóstico — e precisamos de mais transparência sobre isso.
Na abordagem analítica, a entrevista inicial tem um peso simbólico enorme. Ler Dalgalarrondo me fez pensar em como estruturar melhor minha escuta sem perder a dimensão simbólica que me orienta.
Resenha escrita por
Elisa Monteiro
QPsi · GP 01 · GE 03 — Janeiro · 2025
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