GE 07 · GP 01 Maio · 2025
Eu, personalidade e inteligência
Funções psíquicas compostas
Paulo Dalgalarrondo · Psicopatologia e Semiologia dos Transtornos Mentais
Psicopatologia e Semiologia dos Transtornos Mentais
Paulo Dalgalarrondo · Artmed, 3ª ed. 2019 · Parte II — Funções psíquicas compostas
Capítulos 23, 24, 25 e 26 — Funções psíquicas compostas · O eu e o self · A personalid…Elisa apresentou os capítulos com uma moldura que organizou toda a discussão: as funções psíquicas compostas são aquelas em que o sujeito aparece como totalidade — não apenas como portador de sintomas isolados. O eu, a personalidade, a inteligência social são dimensões que só fazem sentido relacionalmente. O grupo debateu como isso transforma a avaliação: não se trata de medir funções, mas de compreender como o sujeito se organiza.
O capítulo sobre o eu e o self gerou o diálogo mais rico entre abordagens do encontro. Dalgalarrondo apresenta despersonalização, desrealização e experiências de passividade com rigor fenomenológico — e o grupo trouxe os paralelos com Winnicott (self verdadeiro e falso), com a psicanálise lacaniana (sujeito do inconsciente) e com a psicologia analítica (Self junguiano). Tamires mediou o debate com precisão: o que cada tradição consegue ver que as outras perdem?
A cognição social — teoria da mente, reconhecimento de emoções, empatia — fechou o encontro com reflexões sobre o espectro autista e pacientes com dificuldades relacionais que escapam das categorias tradicionais. Camila trouxe dados de sua prática em avaliação: a cognição social é sistematicamente subavaliada em adultos, especialmente em mulheres. O grupo discutiu as implicações para diagnóstico tardio e para o manejo clínico.
Mediar o debate sobre o eu nas diferentes tradições foi desafiador e delicioso. O grupo mostrou maturidade para discordar sem precisar convencer — e isso é raro.
Os dados sobre subavaliação de cognição social em mulheres adultas são preocupantes — e correspondem ao que vejo na prática. O diagnóstico tardio de autismo feminino é uma crise silenciosa.
Apresentar esses capítulos me fez reler Winnicott. A sobreposição conceitual entre o self winnicottiano e o eu de Dalgalarrondo é fascinante — os gaps também.
A despersonalização como experiência vivida — e não apenas como item diagnóstico — muda como pergunto sobre ela na entrevista. Agora busco a experiência, não o sintoma.
O Self junguiano e o self de Dalgalarrondo são vizinhos distantes. Aproximá-los exige cuidado — mas o esforço revela o quanto as tradições estão falando de coisas parecidas com vocabulários que raramente se encontram.
Resenha escrita por
Elisa Monteiro
QPsi · GP 01 · GE 07 — Maio · 2025
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