GE 09 · GP 01 Agosto · 2025
Ansiedade, psicose e psicomotricidade
Síndromes ansiosas, psicóticas e motoras
Paulo Dalgalarrondo · Psicopatologia e Semiologia dos Transtornos Mentais
Psicopatologia e Semiologia dos Transtornos Mentais
Paulo Dalgalarrondo · Artmed, 3ª ed. 2019 · Parte III — As grandes síndromes psicopatológicas
Capítulos 31, 32 e 33 — Síndromes ansiosas · Síndromes psicóticas e espectro da es…Felipe apresentou as síndromes ansiosas com uma entrada provocadora: a ansiedade é o sintoma mais comum e o menos bem avaliado da clínica contemporânea. Dalgalarrondo organiza o campo com precisão — pânico, fobia, ansiedade generalizada, TOC, TEPT — e o grupo debateu o risco de tratar 'ansiedade' como categoria única. Tamires trouxe dados de avaliação: a maioria dos encaminhamentos por 'ansiedade' chega sem discriminação semiológica mínima.
As síndromes psicóticas foram o coração do encontro. O grupo voltou ao delírio — agora no contexto das psicoses funcionais — e discutiu a fenomenologia da esquizofrenia: embotamento afetivo, alogia, avolia, além dos sintomas positivos. A discussão mais densa girou em torno da aliança terapêutica com o paciente psicótico. Gabriela trouxe a perspectiva junguiana: o conteúdo psicótico como material simbólico que pede decifração, não supressão. O grupo discutiu os limites e possibilidades dessa abordagem.
As síndromes psicomotoras fecharam o encontro com a catatonia — síndrome sistematicamente subdiagnosticada — e os estados de agitação. Daniel propôs uma reflexão: o corpo fala o que a linguagem não consegue expressar. Em pacientes com grave comprometimento verbal, a observação da psicomotricidade pode ser a única janela clínica disponível. O grupo discutiu como cultivar essa observação na prática.
Os dados sobre encaminhamentos por 'ansiedade' sem avaliação semiológica são alarmantes — e correspondem ao que recebo na prática avaliativa. Precisamos de formação clínica mais rigorosa na graduação.
Apresentar esses capítulos me fez rever minha relação com o campo da saúde mental. A semiologia das síndromes ansiosas é um instrumento de justiça clínica — e isso ficou claro aqui.
A abordagem junguiana da psicose como material simbólico gerou debate — e isso é exatamente o que queria. Não defendo que seja a única abordagem; defendo que seja levada a sério.
O corpo como linguagem — isso ressoa profundamente com a fenomenologia. A catatonia é um exemplo extremo de como o soma fala quando o logos se cala.
A aliança com o paciente psicótico é meu maior desafio clínico. O grupo me ajudou a pensar que talvez a questão não seja 'entrar no delírio' — mas encontrar uma zona de contato possível, mesmo que pequena.
Resenha escrita por
Gabriela Santos
QPsi · GP 01 · GE 09 — Agosto · 2025
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